terça-feira, 26 de julho de 2011

Les Petits Mouchoirs

"A la suite d'un événement bouleversant, une bande de copains décide, malgré tout, de partir en vacances au bord de la mer comme chaque année. Leur amitié, leurs certitudes, leur culpabilité, leurs amours en seront ébranlées. Ils vont enfin devoir lever les "petits mouchoirs" qu'ils ont posés sur leurs secrets et leurs mensonges."
allocine.fr



Que filme magnífico!


Um diálogo perfeito entre o que me faz rir e o que me faz chorar. Uma história que comove; que faz pensar e questionar.

Actores extraordinários, que incarnam, mais do que interpretam, personagens carregadas de humanismo.

“Pequenas Mentiras entre Amigos” é o título em português, que acerta em cheio no espírito do filme e não só....

segunda-feira, 25 de julho de 2011

One Flew Over the Cuckoo's Nest



"Upon arrival at a mental institution, a brash rebel rallies the patients together to take on the oppressive Nurse Ratched, a woman more a dictator than a nurse."
imdb.com

“De médico e louco, todos temos um pouco”, “A loucura, às vezes, é saudável”.

Clichés à parte, há dias em que me apetece atravessar a cerca que separa a loucura saudável da loucura total e absoluta. Linha muito ténue, como descobriu a personagem de Jack Nicholson.
No meu caso, já faltou mais, dizem-me alguns. De certo, para me consolarem ....
Mas, por enquanto, ainda estou em cima da cerca, ora balanceando-me mais para a sanidade ora para a demência.
Talvez estejamos todos assim... só que uns disfarçam melhor do que outros...


Quando temos mais tempo do que o que sabemos fazer com ele, quando perdemos a noção dos dias e das horas, quando sentimos a presença da PDI em cada esquecimento ou gesto mais cansado, há um sentimento de inutilidade que se apodera de nós e nos faz sentir dessincronizados do mundo. Uma sombra que nos segue e que nos faz questionar o passado e duvidar do futuro, impedindo-nos de viver o presente. Quando a desgraça de outros, muito piores do que nós, não chega para confortar e é o nosso umbigo que dita as regras.



Há dias assim.

Nesses dias, sinto que, como o Freddie Mercury, “I’m Going Slightly Mad”

I'm one card short of a full deck
I'm not quite the shilling
One wave short of a shipwreck
I'm not at my usual top billing
I'm coming down with a fever
I'm really out to sea
This kettle is boiling over
I think I'm a banana tree
Oh dear, I'm going slightly mad
I'm going slightly mad
It finally happened, happened
It finally happened uh huh
It finally happened I'm slightly mad - oh dear!

Como seria bom viver sem a bitola da normalidade.... Talvez um dia descubra que essa bitola é apenas auto-imposta....
Um dia que isso aconteça e a insanidade me apanhe por completo, o mais certo é acabar como Jack, numa cama de manicómio, curtindo uma bela lobotomia.
Cuidado com aquilo que desejas.....
Pronto.... lobotomia talvez seja excessivo, mas quantas vezes me apetece uma massagem cerebral, não apenas na cabeça, mas na própria mioleira. Uma massagem que me trouxesse ideias novas, que me levassem por novos caminhos até novos erros.
Sim, que isto de estar sempre a cometer os mesmos é loucura..... e já cansa!

"Mad call I it; for, to define true madness,
What is't but to be nothing else but mad?"
W. Shakespeare in Hamlet

sábado, 23 de julho de 2011

A Night at the Opera

"A sly business manager and two wacky friends of two opera singers help them achieve success while humiliating their stuffy and snobbish enemies."
imdb.com

Está a decorrer a 2ª edição do Festival ao Largo – o Teatro S. Carlos enche as noites de verão da capital com música clássica de grande qualidade e gratuita.


Este ano, como no ano passado, fiz planos para assistir a todos os concertos. Este ano, como no ano passado, acabei por só assistir a dois.

Isto porque a adesão é muita e para se ver o espectáculo sentado é necessário ir para o local com várias horas de antecedência. O ano passado, cheguei a esperar quatro horas para assistir sentadinha a duas horas sublimes com a música de Verdi.

Este ano, decidi encurtar os tempos de espera e ao primeiro concerto cheguei apenas com três horas de antecedência. Tirei o livrinho e preparei-me para pôr a leitura em dia. Mas qual quê?! A confusão é tanta naquele largo, com conversas ruidosas e disputas pelos lugares, que a espera desespera. No fim, descobri que este ano os espectáculos têm apenas uma hora de duração. Mesmo na presença petrificada de Pessoa, comecei a questionar-me se valeria a pena..... Soube a muito pouco a prestação brilhante do Coro do São Carlos.

Hoje mudei de táctica e cheguei ao Largo quando soavam os primeiros acordes da noite. Assisti ao concerto em pé, espreitando por entre uma e outra cabeça e desfrutei perfeitamente da esplêndida música que a Orquestra Sinfónica Portuguesa nos ofereceu. Aberturas de óperas de Rossini, Wagner, Verdi, Humperdinck e a estrondosa 1812 de Tchaikovsky.

E foi assim que cheguei à conclusão que mais vale uma hora em pé do que quatro sentada.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Menina da Rádio

“Cipriano Lopes (...) é o orgulhoso propriétário da Pastelaria Bijou. É um apaixonado pelo progresso e sonha em criar uma rádio para o seu bairro, tendo como vedeta a sua filha Maria Eugénia e como compositor o seu futuro genro Óscar.”
Wikipedia

Foi na semana passada que passei algumas horas fechada na cave de um hotel de Lisboa. Participei num estudo de mercado sobre música. Aparentemente, um grande grupo radiofónico da zona de Lisboa ansiava por saber os meus gostos musicais. Os meus e os de mais uma centena de pessoas, naturalmente.

A coisa era simples: um lápis mal afiado e várias folhas cheias de bolinhas. Não tínhamos mais do que ouvir 3/5 segundos de 625 músicas e preencher a bolinha correspondente à emoção que a mesma despertava em nós (a música; não a bolinha): Adoro! Gosto muito!  Não desgosto! Já estou farta! Nunca gostei!

Para uma control freak como eu, às vezes a coisa complicava-se. Será que gosto muito ou adoro o “A Cry 4 Love” ou “I Don’t Believe you”? Será justo pintar a bolinha do “Breakfast in America”  igual à do “Solsbury Hill”? Em outros casos, a coisa era extremamente simples. Whitney Houston: já estou farta. Queen: adoro. Paulo Gonzo.... a sério??!!!
Mas, ao fim do dia, acho que consegui ser fiel a quem se pretendia: aos meus gostos.

De um modo geral, o ambiente era despreocupado e à minha volta havia quem não conseguisse controlar as emoções. O mulherio que cantarolava com André Sardet, os mais jovens que batiam o pé ao som David Guetta, ou os saudosistas que assobiavam Led Zeppelin e Rolling Stones.

Sim, porque isto de gostos não se discute. E o que queremos quando ligamos a rádio é um pouco de companhia ou evasão.
Mais uma vez, foi o Fernando quem explicou melhor:

"Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!"

sábado, 2 de julho de 2011

Casamento Escandaloso

"When a rich woman's ex-husband and a tabloid-type reporter turn up just before her planned remarriage, she begins to learn the truth about herself."
imdb.com

Lá se casou o Principe Alberto II. Mas, não sem que as más-línguas da praxe se afiassem para lançar aos sete ventos que a noiva, Charlene Wittstock, ao saber algumas verdades menos abonatórias sobre a vida do que viria a ser seu marido, estava preparada para fugir do altar, nem que tivesse de nadar de volta para a África do Sul, no seu modelito Giorgio Armani.
Fontes do palácio desmentem, naturalmente...
Ao ler isto, lembrei-me imediatamente do filme protagonizado precisamente pela mãe de Alberto, a maravilhosamente glaciar Grace Kelly. A sua personagem, cantando e dançando entre um casamento que falhou e outro que está prestes a acontecer, ainda arranjava tempo para um affair com o fotógrafo de serviço. 
High Society é uma extravagante comédia em Technicolour, com memoráveis números musicais. Apesar disso, muito menos interessante do que o filme original: The Philadelphia Story.

Este sim, é um dos filmes da minha vida. Casting perfeito, timing perfeito, argumento perfeito.
Há nele uma frase que nunca consegui esquecer, que me põe constantemente a pensar e que acaba sempre por se voltar contra mim.
A serem verdade os rumores, talvez até tenha feito Miss. Wittstock reconsiderar.
"You'll never be a first class human being or even a first class woman until you learn to have some regard for human frailty."

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Pátio das Cantigas

"Os sonhos, dissabores, paixões, ciúmes e alegrias dos que vivem num desses pátios encravados entre o casario dos bairros populares de Lisboa"
OU
"Eis o caso nunca visto
Das tentações do demónio
No Pátio do Evaristo"

Veio ontem S. Pedro pôr fim à saison dos Santos populares.
Lembrei-me, a propósito, de uma visita que fiz há tempos ao Pátio das Cantigas, ali para os lados da Graça.

Transponho o grande portão verde escuro e entro na “Villa Souza”. Atravesso um pequeno átrio, onde motas e bicicletas descansam encostadas às paredes e entro, então, no pátio que me é tão familiar. Se a luz do sol se eclipsasse por uns instantes, roubando o colorido a este quadro, a sensação de ter recuado no tempo e fugido à realidade seria ainda mais completa.

À minha direita, no rés-do-chão, é a casa da D. Rosa. No 1º andar, mora o seu pretendente, Narciso Fino, bêbado bonacheirão, e o seu filho, Rufino Fino. Lá estão eles à janela a fazer ginástica sueca. E, diz Narciso: “Mau, mas nós afinal estamos em suecas ou estamos em cuecas?!...”.

No prédio em frente, no número 7, a fadista Amália e a tímida irmã Susana moram com o avô. No número 4, vivem os irmãos Bonito com quem as duas acabariam por casar. Lá em cima, nas águas-furtadas, mora o vizinho Engenhocas, que “transmitia as cantigas para todo o pátio ouvir”.
E há mais ecos do passado. Ao ver roupa estendida num arame, tenho de me perguntar se não será o mesmo estendal que Narciso tentava colocar quando, ao fazer um furo na parede, descobriu uma fonte de ... vinho. “Vinho?! Mas isso é milagre!”; “Não é milagre. É palheto!”.
E os pombos que por aqui esvoaçam? Serão os descendentes do pombinho que foi o primeiro a avisar D. Rosa de que a sua filha chegara do Brasil? Hoje têm outras preocupações, especialmente a de se manterem afastados do gato preto que, ali perto, finge dormitar ao sol.
Já quanto ao candeeiro no centro do pátio não tenho dúvidas. É o orgulhoso herdeiro do famoso a quem Narciso se dirigia em noites de bebedeira:  “Voscência .... podia fazer o obséquio .... de me dar um bocadinho do seu lume?...”
No primeiro andar, atrás de mim, abre-se uma janela e uma voz de tenor lírico espalha-se pelo pátio. É Evaristo, o droguista, a tentar educar os vizinhos, fazendo-os ouvir ópera, que é “a música mais própria para operários!”.  Homem irascível, não lhe perguntem se "tem cá disto", sob o risco de o “dessincronizarem” por completo.
Chega a hora de partir.
Ao dirigir-me para a saída, sou obrigada a desviar-me do caminho, para deixar passar a vizinhança do pátio, toda engalanada de arquinho e balão, a cantar a marcha do S. João Bonito.
Pergunto-me o que pensaria Evaristo sobre a dessincronização temporal deste refrão que, a mim, sempre me atormentou. Apesar disso, acabou por se tornar numa modinha intemporal:

 “Stº António já se acabou
O S. Pedro está-se a acabar
S. João, S. João, S. João
Dá cá um balão para eu brincar”

Foto: Muhipiti. Vila Souza. Lisboa. Abril 2011

sábado, 25 de junho de 2011

Ship of Fools


“Passengers on a ship traveling from Mexico to Europe in the 1930s represent society at large in that era”
imdb.com


Fomos loucos, sim senhor!!
Loucos por 6 dias.

Loucos que, sem experiência de marear e trocando cabos por cordas, conquistámos o Midi.
Loucos que cruzámos comportas com desenrrascanço, bravura e muitas gargalhadas. Vestindo de igual, impressionámos quem viu.
Loucos que de um barquito exíguo fizemos um transatlântico de camaradagem e boa disposição.
Loucos que cantámos à desgarrada a propósito de tudo e nada. Que, com vozes de cana rachada, divulgámos no canal o melhor do cancioneiro nacional.
Loucos que fomos comprar pão vestidos de pijama, montados em bicicletas. Que puxámos barcos desfilando em bikini, com pinta de pirata e palas a condizer.
Loucos que cozinhámos divinamente e que comemos com gosto e sem moderação.
Loucos por queijo, doidos por vinho, dementes por doces.
Loucos que festejámos o Sto. António com sardinhas enlatadas, mas que comemos a bela da febrinha au carvon.
Loucos que dançámos nas ruas, imunes à antipatia gaulesa.
Loucos que fizemos quizes, distribuímos prémios e contámos anedotas.
Loucos que improvisámos julgamentos e filmes de pancadaria.

Loucos saudáveis. Loucos felizes.
Loucos que “partimos como amigos e voltámos como irmãos”.

Loucos, quem sabe, o suficiente, para tentarmos tudo outra vez!

“Coitadinhos, Coitadinhos”!!!!!