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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Rabbit-Proof Fence

"In 1931, three aboriginal girls escape after being plucked from their homes to be trained as domestic staff and set off on a trek across the Outback"
imdb.com

Esta manhã fui tomar o pequeno-almoço ao café do cimo da rua.
Como habitualmente, pedi uma meia-de-leite e um bolo e sentei-me à janela.
Olhei lá para fora e vi um coelho (ou seria lebre do campo?) a saltitar ali perto, junto à vedação que separa o meu pacato bairro de uns terrenos baldios ainda a salvo da civilização.
Ver o coelho aos pinotes por entre a vegetação rasteira fez-me feliz. O dia, que começara cinzento e inexplicavelmente triste e cansado, ganhou um novo alento ainda antes de a cafeína ter tido tempo de fazer efeito.
O coelho parecia, aos olhos da minha imaginação, feliz, motivado e com um rumo definido. Esta pequena amostra de natureza devolveu-me um sentimento de esperança não sei bem de quê ou em quê. Talvez de que nem tudo seja desprovido de sentido; que ainda haja um futuro digno de ser salvo. Esperança de que, ao transpor a vedação dos dias tristes, também eu possa encontrar um rumo e um propósito de vida.

domingo, 8 de maio de 2011

Banhada aos elefantes

Um jovem estudante de veterinária abandona os estudos após a morte dos pais e junta-se a um circo itinerante.
Três motivos me levaram a ir ver este filme: Richard LaGravenese, Christoph Waltz e.... o elefante.
Christoph Waltz, retoma o papel de sádico de Inglorious Basterds, desta vez assumindo contornos mais subtis. Voltou a conquistar-me ao ser absolutamente convincente no papel de um homem atormentado pelo ciúme e consumido pela violência.
Richard LaGravenese é um dos meus argumentistas preferidos. Gosto da inteligência com que escreve. Os seus textos comovem, fazem pensar, inspiram. Tenho acompanhado a sua carreira, desde o irreverente e brilhante The Fisher King, um dos filmes da minha vida.
Nada disto, a meu ver, está presente em Water for Elephants. Os diálogos são banais e o enredo, aparvalhado, não traz nada de novo. Suponho que até os bons têm momentos menos inspirados. Tenho de me lembrar disso....
A fotografia é encantadora e os animais do circo quebram a monotonia. Acabei por não dar o tempo por mal empregue. Enquanto as jovenzinhas da fila da frente se embeiçavam pelos olhinhos de carneiro do ex-vampiro Robert Pattinson, eu fazia o mesmo perante o leão desdentado, a elefante poliglota, o inteligente Jack Russell e a doce hiena. Gostos!...